terça-feira, 27 de novembro de 2012

O filme é uma declaração de amor à Paris. Conta a história de um roteirista de Hollywood que está passando férias com a família da noiva na Cidade Luz. Pelas ruas de Paris, Gil (Owen Wilson) busca inspiração para novos rumos em sua carreira: pretende tornar-se escritor. Numa mistura de realidade histórica com fantasia, Allen faz uma viagem à “Era de Ouro”, no séc. XX.
Caminhando bêbado pela cidade, Gil se perde. À meia noite ouve 12 baladas no relógio e vê parar à sua frente um Peugeot antigo. Embarca e vai parar numa festa para o cineasta francês Jean Cocteau, ouvindo Cole Porter tocar piano e numa roda de conversa com Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway, T.S. Eliot e outros grandes nomes.
Na essência, Allen defende que não adianta idealizar o passado, porque cada época tem suas belezas e desventuras. Faz crítica, ainda, à ostentação da arte; para o diretor, ela deve ser experimentada, sem “pseudointelectualismo”.
Mas o encaixe perfeito da história se dá através dos detalhes requintados e cuidadosamente pensados da cenografia e fotografia. A dupla Darius Khondji e Johanne Debas foi responsável pelo trabalho fotográfico fantástico que a obra apresenta.
Os diretores conseguiram captar as belezas de Paris com seu próprio clima, o que casa perfeitamente com o roteiro; em determinado momento os personagens se perguntam se a capital francesa é mais bonita de dia ou de noite. Sem dúvidas o espectador ficou com o mesmo questionamento em mente, especialmente pelo capricho de Khondji.
A abertura filmada com cores à beira da saturação mostra uma Paris viva, alegre, convidativa, sem cair no cliché, mesmo exibindo pontos turísticos amplamente conhecidos. Neste momento a trilha requintada nos faz literalmente viajar pelas belas ruas e arquitetura histórica da cidade; o romantismo é tanto que quase dá pra sentir um perfume delicado completando a sequência extasiante das imagens.
A fotografia de Darius Khondji e Johanne Debas propicia uma percepção visual de cada um dos tempos narrativos; as viagens no tempo foram filmadas em noturna, com ambientes escuros, mas de forma que não ficasse impossível reconhecer os atores e os objetos de cena, e que desse, simultaneamente, a sensação de passagem do tempo, pois não usa truques de montagem pra sinalizar isso.
Assim, a história passa da Paris no presente, fortemente iluminada – muitas cenas externas com exploração de luz natural – para um sépia que remete à “Era do Ouro” e, posteriormente, mais uma passagem de tempo para uma “Belle Époque” amarronzada e com filtro de imagem. Vale ressaltar a direção de arte de Anne Seibel que vai do contemporâneo para o rebuscado das décadas passadas.
Os planos são predominantemente geral, médio e conjunto, utilizando alguns em detalhe para destacar objetos de cena. A duração dos planos também transmite a sensação de movimento interno em cada época.
A fotografia de “Meia Noite em Paris” enaltece as belezas da cidade, tanto em seu aspecto natural, no que tange ao clima e à natureza, quanto no aspecto histórico e cultural/artístico que carrega em cada rua e prédio. Faz-nos sentir, literalmente, o prazer do conhecimento e a satisfação de experimentar a arte.

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